Autor Tópico: Esboços da Bíblia - Livro de Malaquias  (Lida 1481 vezes)

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Esboços da Bíblia - Livro de Malaquias
« em: 22 de Janeiro de 2013, 12:42 »
Malaquias  (Ml)
 

Autor: Malaquias.
Tema: Acusações de Deus Contra o Judaísmo Pós-Exílico.
Data: Cerca de 430 - 420 a.C..

Considerações Preliminares

 “Malaquias” significa “mensageiro de Jeová”. A opinião de que “Malaquias”, em 1.1, seja um título descritivo, ao invés de um nome pessoal, é altamente improvável. Embora não tenhamos mais informações no restante do AT a respeito do profeta, sua personalidade fica bem patente neste livro. Era um judeu devoto da Judá pós-exílica, e contemporâneo de Neemias. Era, provavelmente, um profeta sacerdotal. Suas firmes convicções a favor da fidelidade ao concerto (2.4,5,8,10), e contra a adoração hipócrita e mecânica (1.7-2.9), a idolatria (2.10-12), o divórcio (2.13-16) e o roubo de dízimos e ofertas (3.8-10), revelam um homem de rigorosa integridade e de intensa devoção a Deus. O conteúdo do livro indica que (1) o templo já havia sido reedificado (516 - 515 a.C.), e que os sacrifícios e festas achavam-se plenamente restaurados; (2) um conhecimento geral da Lei havia sido reintroduzido por Esdras (c. 457 - 455 a.C.; ver Ed.7.10; 14,25,26); e (3) uma apostasia subseqüente ocorrera entre os sacerdotes e o povo (c. 433 a.C.). Além disso, o ambiente espiritual e a negligência contra as quais Malaquias clamava, assemelhavam-se à situação que Neemias encontrara em Judá depois de ter voltado da Pérsia (c. 433 - 425 a.C.), para servir como governador em Jerusalém pela segunda vez (cf. Ne 13.4-30); (b) os dízimos e as ofertas eram negligenciados (3.7-12; Ne.13.10-13); e (c) o concerto do casamento era violado, pois os homens judeus divorciavam-se para se casarem com mulheres pagãs, provavelmente mais jovens e bonitas (2.10-16; Ne.13.23-28). É razoável acreditar que Malaquias haja proclamado sua mensagem entre 430—420 a.C.

Propósito.

 Quando Malaquias escreveu, os judeus repatriados passavam novamente por adversidade e declínio espiritual. Eles se haviam tornado cínicos, e questionavam a justiça de Deus, duvidando do proveito em se obedecer aos seus mandamentos. À medida que a sua fé minguava, iam se tornando mecânicos e insensíveis na sua observância ao culto divino, e indiferentes às exigências da Lei. Eles faziam-se culpados de muitos tipos de transgressões contra o concerto. Malaquias confronta os sacerdotes e o povo com o apelo profético (1) para se arrependerem de seus pecados e da hipocrisia religiosa para que não fossem surpreendidos pelo castigo divino; (2) para removerem a desobediência que bloqueava o fluxo do favor e bênção de Deus; e (3) para voltarem ao Senhor e ao seu concerto com corações sinceros e obedientes

Visão Panorâmica.

 O livro, que consiste num sêxtuplo “peso da palavra do SENHOR contra Israel, pelo ministério de Malaquias” (1.1), está entremeado por uma série de dez perguntas retóricas e irônicas feitas por Israel com as respectivas respostas de Deus por intermédio do profeta. Embora o emprego de perguntas e respostas não seja exclusivo de Malaquias, seu uso é distintivo por ser crucial à estrutura literária do livro (ver o esboço). O “peso” (ou “mensagem repressiva”) do Senhor proclamado por Malaquias é assim constituído: (1) Deus reafirma seu fiel amor a Israel segundo o concerto (1.2-5). (2) Deus repreende os profetas por serem vigilantes infiéis do relacionamento entre o Senhor e Israel segundo o concerto (1.6-2.9). (3) Deus repreende Israel por ter rompido o concerto dos pais (2.10-16). (4) Deus relembra a Israel a certeza do castigo divino por causa dos pecados contra o concerto (2.17-3.6). (5) Deus conclama toda a comunidade judaica pós-exílica a arrepender-se, e a voltar-se ao Senhor, para que tornasse a receber as suas bênçãos (3.7-12). (6) A mensagem final refere-se ao “memorial escrito” diante de Deus a respeito daqueles que o temem e lhe estimam o nome (3.13-18). Malaquias encerra seu livro com uma advertência e promessas proféticas a respeito do futuro “dia do Senhor” (4.1-6).

Características Especiais.

 Cinco aspectos básicos caracterizam o livro de Malaquias. (1) De modo simples, direto e vigoroso, retrata vividamente o debate entre Deus e seu povo. O debate é levado a efeito na primeira pessoa do singular. (2) Dá destaque ao método de perguntas e respostas na apresentação da palavra profética com nada menos que vinte e três perguntas trocadas entre Deus e o povo. Sugere-se que o método adotado por Malaquias pode ter-se originado quando o profeta apresentou, pela primeira vez, sua mensagem nas ruas de Jerusalém ou nos átrios do templo. (3) Malaquias, o último dos profetas do AT, é seguido por 400 anos de silêncio profético. A longa ausência profética terminaria no surgimento de João Batista. Foi este o previsto por Malaquias como o antecessor do Messias (3.1). (4) A expressão “o SENHOR dos Exércitos” ocorre vinte vezes neste breve livro. (5) Destaca-se que a profecia final (que encerra a mensagem profética do AT) prediz que Deus enviaria alguém como Elias para restaurar os pais piedosos em Sião, contrariamente às tendências sociais predominantes que levaram a desintegração da família (4.5,6).

O Livro de Malaquias ante o NT.

 Três trechos específicos de Malaquias são citados no NT. (1) As frases “amei a Jacó” e “aborreci a Esaú” (1.2,3) são registradas por Paulo em suas considerações sobre a eleição (Rm.9.13. (2) A profecia de Malaquias a respeito do “meu anjo, que preparará o caminho diante de mim” (3.1; cf. Is 40.3) é citada por Jesus como referência a João Batista e seu ministério (Mt.11.7-15). (3) Semelhantemente, Jesus entendia que a profecia de Malaquias a respeito do envio do “profeta Elias”, antes do “dia grande e terrível do SENHOR” (4.5), aplicava-se a João Batista (Mt.11.14; 17.10-13; Mc.9.11-13). Além destas três claras referências a Malaquias no NT, a condenação que o profeta faz do divórcio injusto (2.14-16) antevê o ensino do NT sobre o tema (Mt.5.31,32; 19.3-10; Mc.10.2-12; Rm.7.1-3; 1Co.7.10-16,39). A profecia de Malaquias a respeito do aparecimento do Messias (3.1-6; 4.1-3) abrange tanto a primeira quanto a segunda vinda de Cristo.

Esboço:

Introdução (1.1)

I. A Mensagem do Senhor e as Perguntas Israel (1.2—3.18)

A. Primeira Mensagem: Deus Amou Israel (1.2-5)
 Pergunta de Israel: “Em que nos amaste?” (1.2)

B. Segunda Mensagem: Israel Tem Desonrado ao Senhor (1.6—2.9)
 Perguntas de Israel: “Em que desprezamos nós o teu nome?” (1.6); “Em que te
 havemos profanado?” (1.7)

C. Terceira Mensagem: Deus Não Aceita as Oferendas de Israel (2.10-16)
 Pergunta de Israel: “Por quê?” (2.14)

D. Quarta Mensagem: O Senhor Virá de Repente (2.17—3.6)
 Perguntas de Israel: “Em que o enfadamos?”
 “Onde está o Deus do juízo?” (2.17).

E. Quinta Mensagem: Voltai para o Senhor (3.7-12)
 Perguntas de Israel: “Em que havemos de tornar?” (3.7);
 “em que te roubamos?” (3.8)

F. Sexta Mensagem: Declarações Injustificáveis de Israel contra Deus (3.13-18)
 Perguntas de Israel: “Que temos falado contra ti?” (3.13);
 “Que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos?” (3.14)

II. O Dia do Senhor (4.1-6)

 A. Será um Dia de Juízo para o Arrogante e o Malfeitor (4.1)

 B. Será um Dia de Triunfo para os Justos (2,3)

 C. Será Precedido por uma Restauração Sobrenatural dos Relacionamentos entre Pais e Filhos e entre o Povo de Deus (4.4-6)